Testemunho do Dionísio Leite

Dionísio Cardoso Joaquim Leite, nascido aos 12 de abril de 1990, natural de São Tomé e Príncipe, filho de Manuel da Graça Joaquim Leite e de Isabel Cardoso Jone. Neste mês em que a Igreja celebra a semana dos Seminários, gostaria de apresentar o meu percurso vocacional, o modo como Deus tem agido na história da minha vida e na minha caminhada vocacional.

Nasci num país cristão, onde a maioria das pessoas professa a fé católica. Nos meus primeiros 11 anos de vida, nunca me apercebi se os meus pais eram ou não cristãos. Por isso, vim a descobrir ao longo da minha vida que ainda não tinha sido batizado. Por volta dos meus 12 anos estava eu num grupo de amigos a brincar ao lado da Igreja, na Vila de Ribeira Afonso, comunidade a que pertenço, quando apareceu um grupo das Irmãs e se pôs a brincar connosco. Depois, uma irmã colocou-nos uma questão relacionada com Jesus, se já tínhamos ouvido falar de Jesus; foi nos dizendo algumas coisas sobre Ele e eu fiquei surpreso pela forma com que ela falava de Jesus. Perguntei-lhe como poderia saber mais sobre a vida de Jesus. E a irmã volta-se para mim e pergunta-me: “Tu andas na catequese?” Disse que não, e então ela pediu que eu fosse buscar o meu documento de identificação para me inscrever na catequese. A partir desta altura, percebi que Jesus foi fazendo um caminho comigo e que Se foi manifestando na minha vida. Através do contacto permanente com a palavra de Deus, fui percebendo que assim como na Vigem Maria a palavra foi ganhando carne, também em mim isto foi acontecendo. Na minha forma de estar, de ser e de agir.  Por isso, olhei para a história da minha vida e vi que tudo era dom de Deus. Com o passar do tempo também comecei a ter umas interrogações vocacionais, tais como: “o que Deus quer de mim? Quem é Deus e quem sou eu? O que posso fazer para estar mais próximo de Deus e viver uma entrega total aos outros?” Foi com essas inquietações que fui fazendo o meu discernimento vocacional na paróquia, acompanhado pelas irmãs e depois pelos padres que estavam ligados à pastoral vocacional da minha Diocese de origem.  Com a ajuda desse discernimento, entrei para o Seminário.   Com algumas leituras sobre a vida dos santos e com a conversa que tive com o meu Bispo, percebi que ser padre nem sempre se circunscreve ao lugar de que somos originários. Tal como nas palavras de Santo António Maria Claret, que dizia: “O meu espírito é para o mundo todo”. É com esse espírito que me predisponho para servir o Senhor, em qualquer lugar que Ele quiser.  E ao longo desta caminhada, a passagem que mais me tem marcado é: “Eu vim para que tenham a vida e a tenham em abundância” (Jo 10, 10). É esta vida que com a ajuda de Deus gostava de transmitir aos outros. Para que as pessoas possam experimentar esta alegria, esta felicidade que vem de Deus.

Termino implorando as vossas orações. Para que o Senhor possa fortalecer os corações de todos aqueles que O procuram seguir mais de perto, e que por intercessão de Nossa Senhora, possa fazer deles Sacerdotes Santos e Sábios para o bem de toda a Igreja de Cristo.